Artigo
Newton de Camargo Rosa*
A economia brasileira exibe, ao longo de 2006, uma feliz combinação de recuperação econômica com inflação convergindo para a meta. A atividade econômica cresce de forma moderada, estimando-se um avanço em torno de 3,5% para o PIB, neste ano. A atividade é comandada pela demanda interna, estimulada pelas despesas com consumo e investimentos. A ociosidade decorrente do medíocre desempenho de 2005 permite acomodar os avanços da demanda sem resultar em pressões sobre os preços.
A economia brasileira também reforçou os seus fundamentos. A política fiscal permanece gerando superávits primários compatíveis com a manutenção de uma dinâmica favorável de diminuição paulatina da relação dívida pública/PIB. O setor externo continua apurando elevados superávits nas transações com o exterior, diminuindo a vulnerabilidade externa da economia brasileira. A redução da liquidez provocada pela elevação dos juros internacionais resultou em reduzidos impactos sobre a economia brasileira. Reservas internacionais robustas e redução do endividamento externo tornaram a economia menos vulnerável a choques financeiros externos.
A inflação caminha para ficar num patamar abaixo da meta estipulada para este ano. A inequívoca trajetória captada pelos índices não reflete apenas fatores pontuais e temporários, mas principalmente os efeitos do aperto monetário praticado ao longo do ano passado associado à apreciação cambial e queda do risco país. Esse bom desempenho alimenta as expectativas inflacionárias para 2007, mantendo-as ancoradas na meta fixada para o período. Esse cenário reforça hipótese de continuidade do ciclo de queda da taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Incertezas relacionadas aos impactos defasados do afrouxamento monetário sobre a inflação de 2007 e uma atividade econômica mais aquecida nos próximos meses devem levar o Copom a moderar o ritmo de queda dos juros nas próximas reuniões, com a Selic encerrando o ano em 14%.
(*) Economista consultor da Sul América Investimentos