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A intervenção na Faceal

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por admin publicado 23/06/2016 04h20, última modificação 26/12/2005 00h00

 Bacharel em Ciências Econômicas e ex-funcionário do Banco do Brasil, onde exerceu a função de auditor durante três anos, Benedito Graça Filho resume o trabalho para o qual foi designado, na condição de interventor da Faceal, como “uma missão de salvar um paciente em estado terminal muito sério, que parecia não ter mais solução”.

"Paciente em estado terminal"

“A nossa principal missão era fazer com que a Patrocinadora pagasse a dívida. A Faceal tinha um patrimônio estimado em US$ 8.847, na época. E a Patrocinadora detinha mais de 80% deste valor. Ela não repassava sua contribuição e ainda se apropriava do desconto dos participantes. Era uma situação irregular, uma apropriação indébita”, afirma o ex-interventor.
Mas logo que ele se debruçou sobre a questão da dívida verificou, como assistido da Previ - um fundo de pensão modelo no Brasil - que o Plano de Benefício da Faceal era uma “miséria”. 
“Eu não podia ver colegas com o pires estendido praticamente pedindo esmolas, como, por exemplo, o Dr. Oswaldo Braga, que foi presidente da Fundação e recebia uma complementação de pouco mais de R$ 400,00, quando o salário dele, na época, era de quase R$ 10.000,00. Precisava fazer alguma coisa  para melhorar o Plano de Benefício da Faceal”, conta Benedito Graça.
O ex-interventor, que afirma ter adquirido muitos cabelos brancos nos três anos e oito meses em que esteve na missão de salvar a Faceal, diz que não era compreendido por muitos funcionários. “Provavelmente porque eles não queriam que tivéssemos êxito pelo fracasso deles, que foi causado por culpa de um estatuto perverso, que tornava a Fundação um quintal da patrocinadora”. O Estatuto foi a terceira “bactéria” que ele diagnosticou como a causa que “teria levado o paciente ao estado terminal”.
Para o ex-interventor, de nada adiantaria resolver a dívida da patrocinadora se não fosse reformulado o Plano de Benefícios e o Estatuto da Fundação. “Foi duro convencer a SPC, porque a nossa missão era tão somente a questão da dívida. O sindicato, sem entender que estávamos trabalhando para deixar a Fundação enxuta, cobrava o fim da intervenção”, lembra Benedito Graça.
Outra dificuldade que ele disse ter enfrentado é que ninguém tinha conhecimento do que era a Fundação, dos benefícios que a instituição podia proporcionar aos associados e seus familiares. “Visitamos todas as cidades do interior, fazendo reuniões com os funcionários e deixando para eles não apenas a semente, mas também a consciência do que representava um fundo de pensão na vida dos trabalhadores.”
Com o auxílio de dois auditores aposentados do Banco do Brasil, Francisco Pinheiro de Lins e Osvaldo Matias, e Israel Saldanha, Benedito Graça conseguiu, depois de três anos, consolidar o tripé indispensável à sobrevivência da Fundação: a questão da dívida, a reformulação do estatuto e, por último, o Plano de Benefício, garantindo aos participantes 80% de sua renda como assistido.
“Essas conquistas só foram possíveis porque Deraldo teve a coragem de pedir a intervenção. O seu cargo, assim como o dos demais diretores, era uma figura decorativa. Quem mandava na Fundação era a patrocinadora. Hoje é diferente, porque o atual Estatuto é uma arma que protege, que dá autonomia aos gestores de um patrimônio que pertence aos trabalhadores da Ceal”, concluiu Benedito Graça.