Do almoxarifado às piscinas
Quem disse que aposentadoria significa parar de trabalhar? Para o aposentado Isaias Veridiano ela tem outro significado: troca de ocupação. Aos 64 anos, o participante da FACEAL esbanja saúde e celebra a segunda colocação nas Maratonas Aquáticas 2007, dando exemplo de disposição e alegria de viver.
O segundo lugar no pódio foi conquistado devido a sua disciplina e boa atuação nos campeonatos do ano passado. Após ter somadas suas pontuações em cada competição do Circuito Alagoano de Águas Abertas em 2007, Isaias Veridiano foi consagrado o segundo melhor nadador da categoria destinada a homens com mais de 60 anos.
Mas de onde vem tanta vitalidade? Para Veridiano, o segredo é não se acomodar com a chegada da terceira idade e, principalmente, da aposentadoria. Ele dedica duas horas diárias ao treino na piscina, além de fazer abdominal, caminhada e passeio ciclístico. “Após me aposentar, essas atividades tomaram conta da minha rotina. Eu procuro não parar. Todas as tardes caminho pela orla com minha esposa e nos finais de semana ainda vou nadar na praia”, conta o aposentado.
História de um vencedor
Após trinta anos de serviço na Companhia Energética de Alagoas (Ceal), onde trabalhou como assistente administrativo, Isaias Veridiano decidiu trocar de vez o almoxarifado pela piscina e aproveitou a tranqüilidade adquirida com a aposentadoria para se dedicar ainda mais à prática do seu esporte favorito, a natação.
O aposentado começou a nadar aos 42 anos de idade, apenas com o intuito de manter a forma, mas sua habilidade na água já lhe rendeu diversos títulos estaduais e regionais. Apesar das dificuldades encontradas nos locais onde começou a treinar, o atleta não desanimou e hoje se destaca nas piscinas e nos mares alagoanos.
“Só comecei a levar a natação realmente a sério quando a Ceal, através do SESI, disponibilizou um professor para dar aulas aos funcionários interessados e eu comecei a freqüentá-las assiduamente. Lembro que a piscina era olímpica (de 50 metros) e eu olhei aquilo de fora e achei pequeno, mas como não tinha nenhuma técnica, me joguei na primeira vez e fiquei no meio do caminho. Com o tempo, o professor me ensinou algumas técnicas e eu fui melhorando aos poucos”, conta o nadador.
Seis meses depois do início das aulas, o professor convidou Veridiano para participar de uma travessia, mas ele nem sabia o que isso significava. “Foi aí que meu técnico me explicou que era para fazer um percurso de 3 quilômetros de distância no mar. Só em saber eu já fiquei cansado, mas comecei a treinar e não desisti”, lembra o aposentado.
Nessa primeira travessia, ele só nadou 100 metros e cansou. Já na segunda prova conseguiu completar e deixou muitos nadadores para trás. “A partir daí peguei gosto pelo negócio e logo pedi para o professor me inscrever na próxima competição”, revela Veridiano.
Sua primeira medalha veio em 1967, quando o atleta tinha apenas dois anos de experiência na natação. Hoje ele pode ser considerado um colecionador de títulos, já conquistou mais de quarenta medalhas. É tricampeão da maratona dos bombeiros e da marinha, foi campeão norte-nordeste em 1995 e, desde que começou a participar de travessias, sua pior colocação foi um 6º lugar, marca alcançada no campeonato brasileiro, que une atletas de alto nível de todo o país.
“Tudo que resolvo fazer, faço com vontade e determinação. Hoje completo a travessia de 3 mil metros em menos de uma hora e já fui campeão da prova de 5 mil metros”, conta com orgulho o aposentado.
Dica do atleta
Ciente da importância do esporte para a saúde e o bem-estar do idoso, o participante da FACEAL dá uma dica aos seus companheiros de terceira idade: “Já tirei dois colegas da hidroginástica e os levei para natação. Agora pretendo aprender a dançar e aconselho que todos os idosos procurem o acompanhamento de um profissional e pratiquem alguma atividade física, pois o esporte melhora 100% a saúde física e mental, e aumenta significativamente a qualidade de vida”.
Contando com o apoio dos filhos e da esposa, Dona Maria José, o aposentado se recuperou rapidamente de uma cirurgia no joelho direito e continuou a nadar, pois considera a natação um esporte bom para musculatura, respiração e circulação. “Não tenho problemas respiratórios, minha resistência física aumentou bastante, dificilmente pego um resfriado e os médicos dizem que tenho coração de criança. Devo tudo isso à natação e a minha preocupação em ter uma alimentação saudável”, reconhece o aposentado.
Atenção! A atividade física para o idoso deve ser sempre estimulada visando principalmente a qualidade de vida e respeitando as suas preferências para que vire um hábito, sem o apelo estético social distorcido.