Crônica
Oswaldo Simões Braga (in memoria)*
Apanhei na frase do grande inglês Shakespeare, o ponto de partida das minhas palavras, nesta tarde: Ser ou não Ser.
E modifiquei para Ser ou Estar, que é a minha grande dúvida: Ser Presidente ou Estar Presidente, Ser Ministro ou Estar Ministro. Ser velho ou Estar velho. Ser idoso, Ser da melhor idade, Ser da terceira idade, ou Estar velho.
Eu sou velho, idoso. Mas não estou velho. Estar velho é quando o garoto grita para a mãe: Oh mãe, isso ainda presta? E a mãe responde: Isso ta velho meu filho: Jogue no lixo.
E eu não me sinto de se jogar fora. Não estou velho, sou velho.
Ah! A velhice. Quantos aqui reunidos desejam chegar a essa bendita idade? Todos.
E olho para o tempo que passou rápido.
Mas, a velhice nós construímos, na juventude, na mocidade, no aprendizado da vida.
Usar a dignidade, a honradez, a sinceridade, não praticar maldade, nem com os animais.
Deitar todas as noites com a consciência tranqüila do bem que praticou.
Não entre espontaneamente na idade do condor: estou com uma dor aqui nas costas, no joelho, no pescoço.
Não encucar doença: é comprimido para isso, chazinho para aquilo.
Nada disso.
É envelhecer naturalmente, aceitando os desígnios de Deus, sem se lamentar e muito menos blasfemar.
Como diz um velho samba: Nos olhos das mulheres e no espelho do meu quarto é que vejo a minha idade. E só.
Viver nas boas lembranças. A primeira namorada, o receio de pagar na mão da namorada, naquela época.
Hoje tem amasso, o ficar, que o idoso nem sabe o que quer dizer. Nem se interessa em saber.
Ah! A velhice. Como é boa a experiência, os revezes da vida vencidos.
Casar, enfrentar dificuldades. Ver os filhos chegando, prazer que não se paga, nunca.
Depois os netos que vêm para os avós mal educados. Os bisnetos, no meu caso.
Por fim, estar pronto para a quarta idade, que é o céu.
É nessa espera que vocês, familiares vão surgir com o amor, com afeição, com carinho aos idosos, que são os prêmios maiores que eles querem obter no pódio do final da existência.
O idoso tem o direito de ser teimoso, ranzinza e até durão. Mas releguem, ponderem essas atitudes do velho. São os desgastes dos neurônios, os desgastes da vida. A impaciência da vida indo embora e o idoso querendo resolver tudo. Cumprir completamente sua missão aqui neste plano.
Mais tarde vocês, mais jovens, compreenderão.
Sem amor, sem gratidão de que vale a vida? Esses sentimentos trazem a felicidade.
Senhoras e senhores, familiares, amem seus idosos dêem à assistência cristã a quem passou pela vida, sofrida ou não, mais vivida a cada segundo, sempre em favor da família que é a célula da sociedade.
Deus ilumine a todos.
Fui!
(*) Primeiro presidente da Faceal, faleceu em 7 de setembro de 2006.