Aposentado se realiza como artista plástico
“A inspiração vem a todo o momento, pois vejo formas em todos os lugares e primo sempre pela originalidade”, diz o artista plástico e aposentado da Ceal Josué Soares, que participou da criação da Faceal e hoje, aos 61 anos é também um assistido e sócio-fundador da instituição. Como forma de homenagear os 30 anos da Fundação, ele contou um pouco de sua trajetória durante o tempo em que foi servidor até o presente momento como reconhecido artista plástico no Estado.
O objetivo de J. Soares é de não se influenciar por nenhuma corrente artística, para isso ele utiliza figuras geométricas em suas obras e consegue causar as mais diversas sensações nas pessoas que apreciam seu trabalho. Na verdade ele é um autodidata, pois nunca freqüentou escolas de estética da arte, no entanto, afirma que quando criança observava de forma especial os trabalhos de dois alagoanos: Zezumba e Eurico Maciel.
Durante 35 anos, J. Soares foi servidor da Ceal onde começou como Mensageiro, Técnico de Recursos Humanos, Chefe da Seção de Treinamento e logo em seguida, como Desenhista e Eletrotécnico. Porém, foi por intermédio do senhor Aldo Novaes, através do trabalho desenvolvido do Plano de Incentivo a Aposentadoria (PIA), que Josué foi levado a buscar novas alternativas de vida. Ele buscou e conseguiu completa realização como artista plástico.
Foi também professor da Escola Técnica Federal de Alagoas, hoje CEFET, onde ministrou a disciplina Desenho Técnico e Projetos Elétricos, mas ele conta que aos 4 anos de idade já revelava seu potencial como artista, por que ao invés de escrever as lições de escola, ele ficava as desenhando.
Seu trabalho é dividido em três momentos. O primeiro foi dedicado aos trabalhos com tinta a óleo sobre tela. O segundo momento com texturas em paredes e tinta acrílica em MDF (madeira). Já o terceiro momento é o atual onde o artista dedica-se a esculturas de paredes, usando volumetria de figuras geométricas com vários trabalhos ligados à arquitetura moderna. Entre essas obras, está o trabalho doado à presidência da Ceal, que se pode conferir na recepção da Presidência.
O artista plástico já realizou três exposições de acordo com as diferentes fases de seu trabalho. A primeira foi no ano de 1995 na sede da Ceal, quando ainda era funcionário. Seus colegas foram os primeiros a valorizar e incentivar seu trabalho. “Tenho muita saudade e apreço por muitos colegas da Ceal entre eles João Berchmans, a artista plástica Girlene, Ana Bentes, Ana Monteiro, Gildete Medeiros e Wólia”, relembra Josué. A segunda exposição foi realizada no CEFET, onde era professor do curso de Eletrotécnica e a terceira aconteceu em 1999 no Museu da Imagem e do Som (MISA), onde ele teve oitenta por cento de suas obras vendidas.
J. Soares conta que ainda na terceira exposição, ocorreu um fato que jamais esquecerá. Foi quando o artista alagoano e arquiteto Alex Barbosa entrou na exposição e demonstrando intensa satisfação cumprimentou-o efusivamente, reconhecendo desta forma o valor artístico de seu trabalho. Foi a partir deste terceiro momento, que iniciou um trabalho direcionado a um público-alvo: os arquitetos.
Hoje, para o deleite de todos é possível encontrar as obras do assistido da Faceal Josué Soares em várias lojas de Maceió, bem como na Ceal e na recepção da própria Faceal. Além disso, o artista está concorrendo ao prêmio “melhores da maturidade” do Banco Real com sua obra “buquet de noiva”.